Lembram-se quando Morpheus disse que Neo "nasceu numa prisão para a mente"? No filme Matrix, os homens estão presos em casulos para gerar bio-energia para as máquinas.
Elas alimentam-se de restos humanos, e como o corpo não pode viver sem uma mente, o computador central (a Matrix) gera nos homens aprisionados experiências e sensações que os fazem acreditar que vivem uma vida social nomal. Na verdade, estes homens têm suas vidas no mundo virtual criadas pelo programa de inteligência artificial. No mundo físico, encontram-se conectados a cabos e passam seus dias presos e flutuando em um líquido dentro do casulo.
O filme Matrix é uma obra de ficção científica, mas também uma produção que discute uma série de questões filosóficas das mais importantes.
Queremos discutir a importância do conhecimento da realidade. Para isso, iremos conversar sobre Filosofia, ciência, ética, e quais os motivos que a tornam a ética indispensável para a nossa vida social e profissional.
Uma das qualidades do homem é que ele pode pensar e escolher. Chamamos isto de livre arbítrio. Neo foi apresentado a uma nova e difícil situação. Ele podia recuar e fugir da realidade. Mas nem mesmo a Matrix consegue controlar totalmente as mentes. O corpo está preso, mas não a consciência.
A resistência a qualquer escravidão passa pelo conhecimento, mas o conhecimento exige a vontade de ser livre. Quem é livre, para continuar livre, precisa de conhecimento.
O filósofo Willian Irwin escreveu: "a única coisa pior que uma prisão para sua mente é uma prisão para sua mente que você nem sabe existir, portanto, uma prisão de onde você nem tenta escapar." Esta era a situação dos humanos conectados pelos cabos da Matrix.
O que Neo resolve fazer? Qual a escolha que ele toma? No filme Matrix, Neo toma a pílula vermelha e sai do seu casulo. Descobre que vivia um sonho. Que seu corpo estava preso ao casulo. Morpheus diz: "a maior parte dessas pessoas não está pronta para ser desconectada".
Sem dúvida. Imagine se você descobre que vivia um sonho que acreditava ser a realidade. Imagine você descobrir que tudo aquilo que você acreditou não existe? Muitos não conseguiriam suportar. Muitas vezes, ter consciência da realidade é muito difícil. Por outro lado, sem a consciência do real ninguém poderá exercer suas escolhas e ser livre para fazer sua vida.
Preste atenção no seguinte diálogo:
Neo pergunta: "Por que os meus olhos doem?"
Morpheus responde: "Porque você nunca os usou".
Muitas vezes, quando tomamos contato com algo novo, por exemplo, com uma nova matéria ou um novo texto, ficamos incomodados e irritados. Alguns sentem até vontade de dormir. Sabe por quê? Porque não estamos acostumados a enfrentar o novo e muitas vezes achamos que decifrar e interpretar as coisas da vida é algo dispensável.
Os olhos de Neo não eram usados e doiam. Quanto menos usamos nossos músculos, mais fracos eles ficam e doem quando andamos um pouco mais. Quanto menos usamos nossa mente para novos desafios mais ela terá dificuldade de funcionar para enfrentar o novo e o enigmático.
Trata-se de uma postura. Para vencer a sonolência que temos quando achamos algo difícil precisamos de concentração e vontade.
No começo será mais difícil, mas depois as coisas vão se tornando mais fáceis, exatamente porque nossos cérebros são máquinas de aprender.
Vamos retirar um pouco mais de coisas do nosso filme. Antes, é preciso esclarecer a todos de uma coisa muito importante: Matrix não trouxe questões novas para a filosofia. A idéia de que vivemos em um mundo que não conhecemos e que podemos estar completamente enganados e acreditando em ilusões é muito antiga para a Filosofia.
Vamos ler um diálogo de "A República", de Platão. O trecho está no livro VII e chama-se "A Alegoria", ou "Mito da Caverna". Nele, Platão relata a conversa de Sócrates com Glauco. Sócrates quer mostrar ao seu interlocutor o caminho trilhado pelo indivíduo para se libertar do mundo do senso comum e atingir o mundo da verdade. Sócrates quer demonstrar com sua alegoria que a verdade não está nas aparências.
O filme Matrix foi inspirado por esta passagem e mostra o percurso do prisioneiro até transformar-se no sábio, no filósofo.
Antes de continuar é preciso perguntar: quem foi Sócrates? Quem foi Platão? Sócrates e Platão foram filósofos gregos. Sócrates é considerado o pai da Filosofia. Platão era o seu seguidor.
Não se esqueçam de que Platão nasceu em Atenas há 428 anos antes de Cristo. O filme Matrix foi lançado no século XXI depois de Cristo. Para quem não conhecia, Platão foi um dos maiores filósofos da humanidade. Sócrates foi outro grande filósofo e mestre de Platão, seu discípulo.
O interessante é que o problema filosófico é o mesmo... Vamos ler o "Mito da Caverna". Acompanhe o diálogo:
Sócrates: ... Imagine, pois, homens que vivem em uma espécie de morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto.
Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo.
Glauco: Entendo.
Sócrates: Então, ao longo desse pequeno muro, imagine homens que carregam todo o tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro; estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material. Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam.
Glauco: Estranha descrição e estranhos prisioneiros!
Sócrates: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, você pensa que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente?
Glauco: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel?
Sócrates: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam?
Glauco: É claro.
Sócrates: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não acha que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente?
Glauco: Sim, por Zeus.
Sócrates: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.
Glauco: Não poderia ser de outra forma.
Sócrates: Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer? Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar a cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o fariam sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras, anteriormente.
Na sua opinião, o que ele poderia responder se lhes dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que está vendo melhor?
O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-os com perguntas, a dizer o que são? Não acha que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele viu antes lhe pareciam mais verdadeiras do que os objetos que lhes mostram agora?
Glauco: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras.
Sócrates: E se o forçarem a olhar para a própria luz, não achas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram?
Glauco: Sem dúvida alguma.
Sócrates: E se o tirassem de lá à força. Se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos serem verdadeiros.
Glauco: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos.
Sócrates: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol.
Glauco: Sem dúvida.
Sócrates: Finalmente, ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é.
Glauco: Certamente.
Sócrates: Depois disso, poderá raciocionar a respeito do sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível, e que é, de algum modo, a causa de tudo o que eles e seus companheiros viam na caverna.
Glauco: É indubitável que ele chegará a essa conclusão.
Sócrates: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não acha que ficaria feliz com a mudança e teria pena deles?
Glauco: Claro que sim. (...)
Sócrates: Reflita ainda nisto: suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do sol?
Glauco: Naturalmente.
Sócrates: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recuperaram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo?
Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?
Glauco: Sem dúvida alguma, eles o matariam.
Sócrates: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo ilumina a caverna à ação do sol. Quanto à subida e a contemplação do que há no alto, considera que se trata da ascenção da alma até o lugar inteligível, e não te enganarás sobre minha esperança, já que desejas conhecê-la.
Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso eis o que me aparece tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a idéia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo.
No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.
Glauco: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo.
Sócrates tem semelhança com algum personagem do filme Matrix? Tudo bem, tudo bem. Eu sei que Sócrates foi um filósofo de carne e osso, mas a pergunta está valendo. Platão foi quem escreveu este relato com a tentativa de Sócrates convencer Glauco sobre a necessidade do verdadeiro conhecimento, sobre a importância da superação do mundo das sombras. Sócrates não é um Morpheus e nem Glauco era Neo.
Pense sobre isso: qual a relação entre o Mito da Caverna de Platão e o filme Matrix? E, se a liberdade é tão boa, porque o prisioneiro sofre para ser libertado?
Lembram-se do Cypher do filme Matrix? Cypher não queria mais a realidade e entregou Morpheus e seus amigos ao Agente Smith em troca de uma vida na Matrix que fosse de um ator famoso e rico. Cypher disse a Smith: "a ignorância é felicidade".
A escolha moral de Cypher é individualista e muito usada no nosso dia-a-dia. Você já deve ter ouvido o ditado "o que os olhos não vêem o coração não sente." Mas a decisão de Cypher também mexe com valores éticos muito sérios. Ela o fez prisioneiro e traidor.
A Filosofia Moral e a Ética
A professora Marilena Chaui escreveu: "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem a ao mal, ao permitido e ao proibido, e à conduta correta, válidos para todos os seus membros. Culturas e sociedades fortemente hierarquizadas e com diferenças de castas ou de classes muito profundas podem até mesmo possuir várias morais, cada uma delas referida aos valores de uma casta ou de uma classe social."
A existência da moral não implica na existência da Ética. Do ponto de vista filosófico, ética não é o mesmo que moral.
Então, o que é ética?
Foi Sócrates que inaugurou a chamada Filosofia Moral que também passou a ser conhecida como ÉTICA. O filósofo grego queria saber se o que a sociedade considerava virtuoso e bondoso era efetivamente correspondente à virtude e ao bem. Sócrates interrogava os indivíduos para fazê-los refletir sobre o significado e a finalidade de suas ações. Essas indagações de Sócrates são a ética dos indivíduos e da sociedade.
Leia os argumentos da professora Marilena Chaui:
"As questões socráticas inauguram a ética ou filosofia moral, porque definem o campo no qual valores e obrigações morais podem ser estabelecidos, ao encontrar seu ponto de partida: a consciência do agente moral. É sujeito ético moral somente aquele que sabe o que faz, conhece as causas e os fins de sua ação, o significado de suas intenções e de suas atitudes e a essência dos valores morais".
A filósofa Chaui também escreveu:
"Os antigos afirmavam que a ética, cujo modo era a virtude e cujo fim era a felicidade, realizava-se pelo comportamento virtuoso entendido como a ação em conformidade com a natureza do agente (seu ethos) e dos fins buscados por ele. Afirmavam também que o homem é, por natureza, um ser racional e que, portanto, a virtude ou o comportamento ético é aquele no qual a razão comanda as paixões, dando normas e regras à vontade para que esta possa deliberar corretamente."
"Embora Platão, Aristóteles (e outros filósofos), divergissem quanto a definição das virtudes, da razão, da vontade, das paixões e da natureza, concordavam com os princípios gerais acima expostos. Esta concordância derivava de uma outra, cuja definição também variava, mas que era a mesma como princípio geral, qual seja, a admissão da existência de uma ordem universal, de um cosmo racional, em cujo interior os homens e cada homem, assim como todas as coisas, possuíam um lugar próprio e definido que determinava a conduta racional de cada um segundo certos fins tidos universalmente como belos, bons e justos."
A ética dos piratas, dos médicos e dos engenheiros, ou todos têm uma só ética?
O filósofo grego Aristóteles distinguia a práxis da técnica. Práxis é difícil de definir. Podemos dizer que seja uma prática seguida de reflexão crítica sobre ela própria. Vamos entender mais:
Suponha que um hacker faça um programa. Aristóteles diria que ele realizou uma ação técnica. O hacker não é o programa que fez. A técnica tem a finalidade de desenvolver, construir ou fabricar algo distinto do agente e da ação desenvolvedora. Para Aristóteles, a técnica é um saber prático que distingue o agente da coisa por ele realizada.
Já a práxis é outro saber prático em que o agente, a ação e sua finalidade são inseparáveis. Na práxis somos aquilo que fazemos. Bom, você diria: e daí? Daí que para o bom e velho Aristóteles a ética refere-se à práxis. O sujeito da ação, a ação em si e seu objetivo final não podem ser considerados como coisas diferentes.
Um médico pode ser excelente tecnicamente e ser um profissional sem ética. Um médico será ético se em cada uma de suas ações ele cumprir os objetivos finais da medicina. Quais seriam as finalidades da medicina?
Principalmente, salvar vidas e aliviar a dor. Quando um médico se recusa a cumprir as finalidades de sua profissão ele está sendo anti-ético. Não importa o motivo. Se o paciente está sem dinheiro e ele não o socorre, o médico estaria sendo ético? Não. Porque a ética não pode ser suspensa em uma situação específica. Por isso, como explica-nos a professora Marilena Chaui, "na práxis ética somos aquilo que fazemos e o que fazemos é a finalidade boa ou virtuosa."
Pense: os hackers têm uma ética? Sem dúvida. Foram principalmente os hackers que construíram a Internet. Eles buscavam empregar seus conhecimentos para que todas as pessoas pudessem se conectar e trocar informações e conhecimentos. Uma das mais valiosas contribuições dos hackers está na colaboração, na idéia de ajudar os outros.
Vamos nos aproximar mais dessa dimensão da ética.
A moral e a ética depende dos tempos históricos?
Sin City é um filme baseado em quadrinhos com um cenário em preto e branco, com tonalidades sombrias, onde foram realçados com cores fortes, principalmente o vermelho, alguns aspectos do cenário e características dos atores. Os lábios das mulheres, por exemplo, refletiam um vermelho forte e bem vivo.
Por que lembrar de Sin City? Porque é uma cidade repleta de criminosos e corruptos, na qual a lei é constantemente desrespeitada e apenas os fortes têm direitos. O direito dos fortes é baseado na sua própria força. Os fracos não têm direitos.
Observando Sin City e seus personagens podemos pensar duas coisas: 1) como seria uma sociedade sem moral e sem ética? 2) ou como seria uma sociedade com uma ética baseada em valores diferentes daqueles que consideramos corretos hoje?
Se observarmos a história veremos que a moral é historicamente determinada. Ou seja, nem tudo que hoje consideramos bom e correto foi sempre considerado assim. Daí podemos afirmar que nem tudo que hoje defendemos como certo será considerado bom no futuro distante.
Então, será que a ética não será importante no futuro?
Sem valores éticos nossa sociedade caminharia para se tornar uma Sin City. A ética no mundo da vida, na prática concreta, nos diz quais comportamentos devemos considerar justos e corretos. A ética não depende de lei. Ela está dentro de cada um de nós. Um hacker ajuda a sociedade a construir sua ética no presente e no futuro.
Pensem até nosso próximo encontro quais valores você considera que deveriam dirigir a conduta de um hacker.
Leia o material das outras faixas do HackerTeen:
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